quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Mudei
Mudei,
mudei de casa, de cidade, de lugar. Mudei e mudei muito, mudei meus gostos e desgostos. mudei de foco de olhar, mudei muito mais do que queria mudar.
Mudei a casa do meu ser, uma reforma aqui, uma ajeitadas ali, uma reforma acula, me mudei de lugar. Mudei minha maneira de pensar, ideias e pensamentos. Não mudei tanto assim, ainda existe as coisas fixas que nem um furacão a tiraria de lugar, mas que eu mudei mudei.
Os herois são pessoas diferente meu foco são em coisas diferentes, minhas alegrias são em coisas que parecem tão mais básicas.
Sim eu mudei, mas eu sempre estarei aqui, no mesmo canto de sempre, para quem precisar.
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Numa cidade chamada Jerico
Acuada em um canto, olhos lacrimejando, algumas lagrimas escorrendo, soluços. Palavras que não tem pé nem cabeça coisas do tipo “que”, “Por que”, “onde”, “como”. Palavras que aos nossos ouvidos, palavras que soltas ao vento não representam muita coisa, mas quando elas estão imersas em um continuo soluços e lagrimas escorrendo pelo rosto elas tem um significado muito maior que os signos de suas palavras.
Essa é apenas mais uma história sobre Liz e sua alma, mais uma daquelas histórias em que o embate entre elas duas são muito maiores do que gritos, socos e ponta pés, o embate entre elas está no mais profundo do interior, aqueles tipos de embates onde não são ditas palavras forjadas, mas palavras soltas que constroem fortes argumentos.
O motivo da briga não poderia ser mais banal, nem poderia ser menos importante. É apenas mais uma briga interna daquelas que são travadas na madrugada, daquelas que tantas vezes travamos no nosso interior, aquele tipo de briga que usa “Por que”, “onde”, “como”. Liz insistia em olhar para a colcha de retalhos que era a sua vida, insistia em ver os defeitos, os caminhos que poderia ter percorrido para que aquilo fosse diferente, as escolhas que ela poderia ter tomado que não fariam ela sofrer tanto, e tantos etc que olhamos no retalho do nosso passado. Liz e sua Alma atravessaram o mar, os oceanos a fundo, enfrentaram tempestades, mas as duas continuam brigando, uma dizendo que a outra poderia ter sido mais corajosa, e a outra dizendo que os passos poderiam ter sidos mais cautelosos.
Liz estava cega, pois suas lagrimas não permitiam que Liz visse um palmo a sua frente, ela só focava naquele velho pano de retalhos que não a levaria para lugar nenhum! A sua Alma estava surdo pois de tanto ouvir reclamações de Liz não conseguia ouvir mais nada ao seu redor. Liz e sua Alma, depois de terem saído e passado por cantos tão incríveis e maravilhosos só conseguiam enxergar os defeitos da jornada, porém não existe coração tão cego que não veja uma Luz tão resplandecente, e nem ouvido tão surdo que não escute o sussurro da voz daquele Rei.
Liz que veio de uma cidade tão renomada, mas estava ali, sentada no chão chorando com sua Alma, no meio da poeira e dos percalços da vida, ouviu que o Rei, que vinha de uma cidade desprezada e que não aparentava ser mais que um carpinteiro, mas que em seus olhos traziam a majestade de um Rei.
Ela então gritou, suplicou até mesmo implorou para que aquele Rei sentisse a miséria de seu coração, implorou que o Rei olhasse para o coração dela e sentisse paixão por ela. Alguns chamaram Liz de louca, outros tentaram colocar ela no lugar insignificante que pertencia a ela, mas não estamos falando de um Rei qualquer, estamos falando de um Rei com olhos de majestade.
O rei ouviu Liz. O rei mandou chamar Liz para perto d’Ele. Avisaram a Liz “levanta e anda, pois o Rei te chama” Liz e sua Alma nunca enxergaram tão bem o caminho, e nunca ouviu tão bem palavras tão doces. Ela saiu em um salto meio que tateando, mesmo que fosse fácil e perto de acha-lo mas como um cego que não sabe a distância de 1 quilometro para um passo à sua frente Liz tateou até encontra-lo. Aquele que acalma tempestade, e que tem olhos de majestade perguntou o que Liz queria, porem Liz só falava palavras “Por que”, “onde”, “como”, soltas ao vento com um temporal em seu rosto. Então, aquele que para tempestades, fez parar de chover no rosto de Liz. Liz e sua Alma olharam a Majestade nos olhos viram o resplendor, e não podiam fazer mais nada a não ser andar de mãos dadas com seu Rei e perguntar o que Ele quer que ela e sua Alma faça.
Ainda restam muitas caminhadas e choros para Liz e sua Alma, mas a paz que era maior do que qualquer problema que perturbasse Liz era uma Paz maior do que qualquer guerra que vinha a surgir.
terça-feira, 22 de julho de 2014
o altar quebrado
Liz e sua alma, esperando na beira de um rio, esperando seu rei, um rei em um cavalo branco, com vestes de ouro reluzentes, com o cavalo mais imponente que poderia existir, daqueles cavalos que todos invejariam.
Liz veio em seu barco até a margem daquele rio, passou por muitas coisas, passou por várias coisas, sofreu, chorou e acreditava que agora nessa etapa da vida iria colher os melhores frutos, iria viver uma vida vitoriosa e iria realizar os planos pessoais e os planos que todos tinham em relação a ela, porém não foi assim que seu Rei a veio pega-la.
Liz viu seu Rei vindo, ele não estava em um cavalo branco e imponente, Ele estava em um jumentinho, daqueles que ninguém queria andar, daqueles que envergonham quando se tem alguém do seu lado montando um jumentinho desse. O Rei não veio cavalgando, marchando para uma guerra, Ele veio resgatar Liz dessa sua jornada pessoal, naquele rio que era sua vida, em um animal que talvez não a levasse para longe, que talvez não vencesse a guerra que estava por vir, mas aquilo quebrou seu ídolo, o ídolo do orgulho de Liz, o orgulho de achar que ela tinha privilégios que o Rei nunca prometeu, então Liz, relutando contra sua alma, seguiu seu Rei, meio decepcionada com Ele mas subiu.
No lombo do jumentinho eles foram em direção a guerra que esperava pelos dois, Liz lembrando que já havia aprendido demais, que já era hora de algo mais, de sonhos se concretizarem, já deu não dá, está na hora de cumprir o chamado de guerra.
Então o Rei, que não vestia ouro mas sim uma veste simples, com panos que pareciam trapos, mas ali havia um Rei, seus olhos diziam isso, suas mãos furadas diziam isso, a gloria em seus olhos diziam isso, Ele parou o jumentinho e me mostrou algo, era um altar com algo dentro, então ele pediu para eu entrar. No altar Ele me disse que havia uma guerra que eu deveria enfrentar antes de partir para a guerra no qual nasci para guerrear, uma guerra no qual eu, Liz, nasceu para lutar. Então no altar encontrei meu eu, no altar entrei a mim. O Rei me deu uma marreta e mandou eu esmagar, com a máxima de força, o que havia no altar. Chorei, gritei, sabia que aquilo iria doer demais para mim, sabia que existiu a possibilidade de eu não aguentar a dor de tão descomunal que aquilo seria, mas o Rei insistiu. Eu não poderia pisar na guerra no qual queria lutar se antes não quebrasse aquele altar que criei anos atrás para mim mesmo. Segurei a marreta e fui quebrando cada pedaço. Quebrei as mãos, que me lembravam que eu achava que a força das minhas mãos resolveria algo, quebrei meus olhos, pois eles achavam que eles sim enxergavam como um visionário. Quebrei muitas coisas naquele dia, e para ser sincero estou tentando sair do altar mas ainda existem muitas coisas para quebrar. Eu, Liz, estou tentando com minha alma esmagar aquele altar, para nunca esquecer que o reino em que irei morar não é daqui.
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